O promotor Francisco Cembranelli descartou hoje convocar o irmão de 3 anos de Isabella de Oliveira Nardoni para depor no processo que apura o assassinato da menina. Foi uma resposta a um ofício do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), do início do mês, defendendo que a criança não fosse interrogada.
Promotor descarta tomar depoimento de irmão
Isabella, de 5 anos, foi asfixiada e jogada do 6º andar em 29 de março. O pai e a madrasta dela, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pais do menino, são acusados pela morte. Segundo a polícia, o irmão de Isabella presenciou o crime. Na quarta-feira, o casal será interrogado pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri.
Cembranelli, promotor do Fórum de Santana, em São Paulo, afirma que desde o início do caso foi contra o depoimento da criança e continua sem ver motivos para convocá-lo. "Pelo fato de conhecer bem o processo e saber que a prova se mostrava bastante consistente no sentido de incriminar o pai e a madrasta, não havia mesmo razões para adoção de medida tão drástica", informa no documento. "Já com a ação penal iniciada, continuo com minha opinião inicial."
A presidente do Conanda, Maria Luiza Moura Oliveira, comemora a decisão de Cembranelli. "A resposta oficializa a posição da Justiça frente ao depoimento e sela um compromisso pela proteção da criança", diz. Para o conselheiro do Conanda Ariel de Castro Alves, encarregado do ofício, o depoimento do garoto seria traumatizante. "Houve bom senso", afirma. "O menino já foi atingido por ter possivelmente presenciado a morte da irmã e está sofrendo com a crise da família. Depor seria uma dupla vitimização."
No dia 8, o Conanda protocolou o ofício com o pedido para que o menino não fosse ouvido pela Justiça sobre a morte de Isabella. Os conselheiros argumentavam que o depoimento poderia agravar o trauma sofrido pela perda da irmã. Diziam ainda que testemunhas menores de 14 anos não prestam compromisso e, por isso, não são obrigadas a depor.
O ofício informava ainda que o "depoimento sem dano" só é usado no Brasil para questionar vítimas de crimes, não testemunhas. Pelo método, implantado no Rio Grande do Sul, uma assistente social ou psicóloga conversa com a criança em meio a brincadeiras, e o juiz acompanha o depoimento por videoconferência.
A situação física e psicológica do menino e de seu irmão, de 1 ano, é acompanhada pela Promotoria da Infância e da Juventude de Guarulhos desde o dia 15. A decisão foi tomada a partir de um relatório do Conselho Tutelar da cidade, que visitou as crianças e constatou que ela foram atingidas pela morte da irmã e pela crise na família. Os meninos estão sob os cuidados de seus avós paternos desde que Alexandre e Anna Carolina foram presos preventivamente, no dia 8 de maio.
Agencia Estado - 26/5/2008 18:09O advogado Marco Polo Levorin, que integra a defesa do consultor jurídico Alexandre Nardoni e da mulher dele, Anna Carolina Jatobá, presos acusados de matar a menina Isabella Nardoni, avaliou hoje que a análise dos peritos contratados pela família levará o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, a rever a denúncia do Ministério Público (MP) sobre a morte. "A imputação do crime (ao casal) ruiu. A denúncia diz que Anna Carolina teria esganado Isabella, mas (o médico-legista George) Sanguinetti provou a ausência de asfixia mecânica. A situação reverte o caso."
Isabella: advogado diz que acusação contra
casal 'ruiu'
Levorin afirmou ainda que o parecer dos peritos contratados "é sólido, certo e bem fundamentado". Na avaliação dele, a denúncia foi "fulminada". "Tecnicamente, o processo é nulo." As conclusões dessa perícia paralela, feita por Sanguinetti e pela perita criminal e advogada Delma Gama, serão juntadas ao processo judicial que apura o crime e está no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo.
O médico-legista George Sanguinetti, em entrevista coletiva realizada hoje, em São Paulo, afirmou ter entrado no caso da morte da menina Isabella Nardoni porque "havia informações nos laudos que não se mantinham". Ele lembrou ter 40 anos de experiência em medicina legal e insistiu que não houve asfixia mecânica. Sanguinetti mostrou croquis com as lesões que o corpo de Isabella apresentava e insistiu que o diagnóstico de que a menina tenha sido esganada não se mantém, pois havia lesões profundas no lado esquerdo do pescoço, mas, no lado direito, apenas hematomas. "Não há esganadura com uma mão só", argumentou.Agencia Estado - 26/5/2008 16:06
Isabella não foi
asfixiada, sustenta Sanguinetti
O médico-legista, contratado pela defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pelo crime, disse ainda não haver lesões nas vias respiratória superiores, traquéia e brônquios da vítima. As lesões do lado esquerdo do pescoço da menina, sustenta, aconteceram na queda, pois ela foi jogada do 6º andar. Sanguinetti ficou conhecido quando atuou no caso da morte do empresário Paulo César (PC) Farias, ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino, no dia 23 de junho de 1996.
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