Cientistas norte-americanos anunciaram nesta quinta-feira o feito que, se confirmado, pode ser considerado o primeiro grande feito de 2008: a produção de células-tronco embrionárias sem a necessidade de destruir o embrião.
A descoberta, feita pelo Advanced Cell Technology (ACT), de Massachusetts (EUA), pode ser mais um caminho para que as pesquisas com células-tronco evoluam sem esbarrar em questões éticas. Isso porque a maioria das técnicas implementadas nessa área exigem a destruição do embrião, o que gera inúmeras críticas.
As células-tronco embrionárias são consideradas esperança de cura para algumas das doenças mais mortais, porque podem se converter em praticamente todos os tecidos do corpo humano. Dada essa importância, cientistas tentam desenvolver métodos para obter células-tronco sem destruir o embrião.
No ano passado, dois grupos de cientistas de Japão e Estados Unidos conseguiram criar essas células por meio de células da pele.
Uma por vez
O novo método, divulgado hoje pela equipe do ACT consiste em retirar uma única célula do embrião --seguindo um procedimento utilizado em clínicas de fertilização in vitro para fazer diagnósticos de defeitos genéticos. A retirada é feita ainda nos estágios iniciais do embrião, quando ele é formado por poucas células.
Os cientistas, então, introduziram na célula retirada uma molécula comum, chamada laminina, para preservar a capacidade das células-tronco de se diferenciarem, segundo um estudo publicado na revista "Cell Stem Cell".
De acordo com os pesquisadores, o método em geral não prejudica o embrião, que é congelado e supostamente pode ser utilizado em um futuro processo de fertilização.
Potencial
Segundo Robert Lanza, diretor científico da empresa, o método permite a criação de uma grande quantidade de células-tronco embrionárias. Ele afirma que, após se diferenciarem, as células-tronco geradas por sua equipe se tornaram células produtoras de insulina, sangüíneas, cardíacas, entre outras.
"Isso é uma tecnologia que existe aqui e agora. Poderia ser utilizada para aumentar imediatamente o número de células-tronco disponíveis para pesquisas", afirma Lanza. "Nós poderíamos mandar essas células para os cientistas amanhã.
Histórico
É preciso ressaltar, entretanto, que a mesma empresa havia divulgado o mesmo feito em agosto de 2006, na conceituada revista "Nature".
Mas, em novembro daquele ano, Lanza publicou uma "correção" do arquivo na revista, afirmando que havia sim destruído os embriões utilizados na pesquisa. O fato havia sido omitido do texto original, o que gerou polêmica entre os pesquisadores
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