Leucemia
A simples menção da palavra leucemia geralmente assusta muito as pessoas. Esse medo provém de duas fontes principais. Primeira: as leucemias são muito freqüentes em crianças e famílias atingidas por esse drama transmitem uma imagem dolorosa da doença. Segunda: no passado, eram enfermidades quase sempre fatais. Dizer que alguém tinha leucemia era praticamente um sinônimo de sentença de morte num prazo curto.
Esse panorama mudou muito. Para as leucemias agudas, de início abrupto e evolução rápida, e para as leucemias crônicas, de evolução mais lenta e muitas vezes assintomáticas e descobertas num exame de sangue de rotina, há métodos que permitem diagnóstico preciso. Na verdade, o que chamamos de leucemia é um agrupamento de doenças diferentes entre si, que exigem tratamentos complexos e de alta diversidade.
Felizmente, hoje, muitos casos de leucemia podem ser curados e, mesmo que não o sejam, a sobrevida dos pacientes pode ser aumentada em muitos anos com o tratamento.
Transplante de medula óssea
Drauzio – Em linhas gerais, como se realiza o transplante de medula óssea?
Tabacof – Há dois tipos de transplante: o transplante autólogo e o alogênico.
O autólogo é, na verdade, uma quimioterapia em doses muito altas que leva à eliminação total das células do sangue e da medula óssea. Ela acaba com a leucemia, mas provoca também um esvaziamento total da medula óssea. Morrem as células boas e as ruins. Por isso, antes da quimioterapia, coletam-se células do sangue ou da medula óssea do próprio paciente, que são congeladas e guardadas. Terminada a quimioterapia, elas são devolvidas através da corrente sangüínea, como numa transfusão, e vão repovoar a medula. Essa estratégia mostrou-se útil na consolidação de algumas leucemias agudas.
Para o transplante alogênico de medula óssea é sempre necessário encontrar um doador. Isso traz a vantagem de contar com uma medula sadia, sem células leucêmicas. Em geral, os irmãos costumam ser os melhores doadores. O passo seguinte é submeter o paciente a uma quimioterapia em doses altas para eliminar a doença. Depois, as células do sangue ou da medula óssea retiradas do doador são injetadas no doente para repovoar sua medula. A pessoa passa, então, a produzir células sangüíneas absolutamente normais e, em certos casos, muda de tipo sangüíneo, pois adota o tipo sangüíneo do doador.
Drauzio – Isso quer dizer que um paciente de tipo sangüíneo A, recebendo o transplante de medula óssea de um doador de tipo O, pode deixar de ser A e passar para O?
Tabacof – Considerando o sistema ABO e RH, receptor e doador podem ser diferentes e o que recebe a medula pode assumir o tipo sangüíneo do doador. Doador e receptor, no entanto, não podem ser diferentes no sistema HLA, que representa um outro método de avaliar a compatibilidade para o transplante.
Drauzio – Nem todos os irmãos podem ser doadores?
Tabacof – Nem todos. A chance de um irmão ser totalmente compatível no sistema HLA é, em média, 25%. Quando isso ocorre, é uma boa opção utilizar a medula normal do irmão no tratamento da pessoa com leucemia.
Orientação para a família
Drauzio – Que orientação você dá para as famílias que têm um parente com leucemia?
Tabacof - Nos casos de leucemias agudas, a primeira coisa é identificar o cenário do tratamento. Sinceramente me preocupo muito com quem vai pagar a conta, porque o custo do tratamento é muito alto, pois requer internação hospitalar, transfusões de sangue e uso de drogas caras. É preciso saber se a pessoa tem convênio com direito a ser tratada no sistema privado ou se terá de recorrer ao sistema público de saúde.
Tão logo o paciente é internado no hospital, inicia-se o tratamento quimioterápico e é de extrema importância ele saber que há uma equipe multidisciplinar cuidando dele, que há médicos e enfermeiros preocupados que, em nenhum momento, o deixarão sem atendimento ou desamparado. Perceber que a equipe toda está a seu lado e ao lado da família participando e torcendo pelo êxito do tratamento dá muita força para o paciente.
Drauzio – Esse envolvimento da equipe com o paciente é fundamental para o tratamento. Infelizmente, no serviço público, ele é mais difícil e complicado.
Tabacof – No sistema em que trabalho, o sistema privado, no Brasil um privilégio de não muita gente, consegue-se prover os pacientes com essa retaguarda. No serviço público nem sempre isso é possível.
6 comentários:
Caraca, pô q bacana um espaço legal só para falar da catatauzinha, e por cima relatar coisas sérias .Quem conheceu a "catatuzinha' pode dizer com muita sabedoria oque é sofrer a dor de si mesma e ainda encontrar forças para fazer pessoas que estão em uma mesma situação ver uma luz no fim do túnel, foi uma fase dificil e que a "catatauzinha' demosntrou e ensinou a todos nós que convivemos com ela que as pessoas valem pelo oque elas são, qdo ela me olhou nos olhos e disse " ações verdadeiras, só vem de pessoas verdadeiras" o meu coração ficou pequeno me senti um garotinho diante de tanta força de espirito e vontade de viver me senti absolutamente um nada encarando nosolhos aquela mulher com cara de criança e atitude de gladiador.tudo que vc vier a conseguir na sua vida " minha adóravel amiga" vai ser mérito totalmente seu.Qdo me senti conquistado por vc. dei mais valor a vida e senti que pessoas como vc são raras de passar por nossas vidas, mas qdo passam é para sempre.
Seu eterno amigo!!
O post é interessante e informativo, muitas pessoas olham os "doentes" com "pena", não precisam que sintam pena, mas precisam de ajuda, apoio e insentivo a viver.adorei o Blog demonstra uma total considerção ao outro e pelo que estou sentindo das pessoas que estão aqui postando seus comentarios é que são amigos de verdade dessa mulher chamada Pamela.
até eu fico curioso para conhece-la.
abraços a todos, obrigado pelo convite.
Falar sobre a doença, sem ter sentido , não faz com que as pessoas se sintam menos entidadas sobre oque significa, relatar a proximidade já fazem delas parte de uma mesma história.
Parabéns, o post é de grande valia.
A Leucemia é uma doença cruel, perdemos muitas crianças principalmente, e o que mais acontece são familias que estão totalmente desprovidas financeiramente e abaladas psicologicamente sem saber como lidar coma adoença e como encarar que isso está acontecendo o próprio filho, passaei por uma mesma situação, perdi meu filho com 7 anos de idade. E posso dizer que é uma dor interminavel, conheci a familia da Pamela no Instituto e foi ela mesma que me apoio nos momentos mais fatidicos, naquele momento não podia entender as suas palavras , mas hoje vendo o quanto a Pamela é importante para tantas pessoas "amigas", e abrindo espaço para comentar sobre sua vida e seus valores "espirituais" que sou grata a todas as vezes que me abraçou e chorou junto comigo.Você ganhou com certeza uma amiga para sempre , pelo simples fato de ser quem você e abrir seu coração para que emeu filho entrar .
Desejo-lhe muita sorte e muita paz de espirito , que "Deus" abençoe a você e toda sua familia.
Sua grande amiga
Oi meus amigos queria lhes falar que vou ficar um tempinho afastada por que estou com um problema muito serio e queria que vcs compreendecem e que oracem muito por mim meus filhos e meu marido estamos prescisando muito mas Deus quer e logo logo estarei de volta com a graça de Deus muito obrigada a todos e que Deus nos abençoe e nossa santissima maria nos cubra com o seu manto sagrado.
Pamela gostaria muito que vc estivesse por aqui.
Mariana
A Pamela faz falta nestas horas, palavras simples de conforto é aconselhavel para quem sofre e amigos de verdade são indispensáveis para qualquer ser humano.Mas pode contar com todos nós , estaremos aqui rezando, orando chame como sua crença permitir, estaremos torcendo por você.
Forte abraço.
30 de Abril de 2008 06:10
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